Operação Eiron: PCDF realiza ação contra grupo que usava falsa filantropia como fachada para o tráfico de drogas
Nesta quarta-feira (6), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou a Operação Eiron. Por meio da 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte. Além disso, a operação contou com apoio das Delegacias Circunscricionais da PCDF, do DOE, DOA, Canil e DALOP.
Ao todo, cerca de 200 policiais participaram da operação. As equipes cumpriram 39 mandados judiciais nas regiões de Samambaia e Ceilândia. Desse total, 25 eram de busca e apreensão e 14 de prisão preventiva.
Tráfico e lavagem de dinheiro
Nesse sentido, a operação busca desarticular uma organização criminosa armada. O grupo atuava no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro na região da QR 421, em Samambaia, e também em áreas próximas.
As investigações começaram em outubro de 2025. Durante as apurações, os policiais identificaram a venda de diversos entorpecentes. Entre eles estavam crack, cocaína, lança-perfume, haxixe “dry” e diferentes tipos de maconha, como “skunk” e “ice”.
Além disso, os investigadores descobriram que o grupo tentava evitar denúncias da população. Para isso, os criminosos promoviam ações assistencialistas na comunidade. Eles financiavam festas em datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia das Crianças. Segundo a investigação, os recursos utilizados vinham exclusivamente do narcotráfico.
Dessa forma, os integrantes tentavam construir uma imagem de falsos provedores da comunidade. Ao mesmo tempo, buscavam esconder a violência praticada pelo grupo.
Grupo usava comércios e redes sociais para ocultar crimes
A investigação também revelou o uso de estabelecimentos comerciais para esconder drogas. Os criminosos administravam distribuidoras de bebidas, quiosques e padarias. Ainda que aparentassem legalidade, esses locais serviam para armazenar e comercializar entorpecentes.
Em uma das padarias investigadas, os policiais encontraram drogas escondidas dentro do estabelecimento. Além disso, os suspeitos utilizavam a mesma balança usada para pesar pães no fracionamento dos entorpecentes.
O grupo também utilizava meios digitais para ampliar o tráfico. Por meio de redes sociais, os criminosos divulgavam “cardápios” de drogas de alto valor. Em seguida, realizavam negociações por aplicativos de mensagens. Depois, faziam as entregas no formato delivery.
Para dificultar a ação policial, os integrantes escondiam os entorpecentes em embalagens de delivery de uma multinacional de fast food. Além disso, eles pulverizavam os pagamentos por meio de transferências via PIX para contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”.
Esquema tinha ligação com facção criminosa
Apesar da fachada assistencialista (práticas, políticas ou pessoas focadas em oferecer auxílio imediato e paliativo a indivíduos carentes, geralmente sem promover autonomia ou resolver causas estruturais da pobreza), o grupo mantinha uma atuação violenta. Durante a investigação, os policiais flagraram integrantes exibindo armas de grosso calibre. Em outra ocasião, os suspeitos apareceram limpando armamentos dentro de veículos.
Além disso, os investigadores identificaram um episódio de agressão brutal contra um usuário de drogas. Segundo as apurações, o grupo espancou a vítima durante a madrugada. O caso evidenciou as punições impostas a quem ameaçava os interesses da organização.
Em fevereiro deste ano, o corpo de um dos investigados apareceu boiando no Lago Paranoá. As autoridades ainda investigam as circunstâncias da morte. No entanto, o episódio reforçou a periculosidade do grupo.
Durante os levantamentos, os policiais também identificaram a Estrela de Davi pintada em residências ligadas à organização. Segundo a PCDF, o símbolo faz referência a uma facção criminosa do Rio de Janeiro. Alguns integrantes do grupo frequentavam o estado com regularidade.
Crimes investigados
Em síntese, os investigados responderão por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de reclusão.
Por fim, a Polícia Civil do Distrito Federal reafirmou o compromisso com a segurança pública. A corporação destacou a importância das investigações no combate ao narcotráfico e na desarticulação de organizações criminosas.
*Com informações da PCDF.
Por: Maria Luiza Couto.
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